Monday, February 13, 2017

PORTUGUÊS POR UM DIA

Minha história com a Portuguesa. Foram muitas delas assistindo jogos contra a Lusa.

Cansei de ver o VT-será que alguém dessa nova geração sabe o que é VT?!- de uma partida que o Edmundo marcou um dos mais belos gols feitos pelo Parmera. 

Eu era moleque, não tinha a noção completa do que era o futebol, mas vira e mexe eu pegava o vhs do meu pai e assistia esse jogo:

Como alguém pode fazer um gol tão bonito? Imagina para um garoto de 11 anos ver isso?

Outro jogo na minha memória. Esse eu tava no estádio. Antes de começar o jogo, meu pai bateu com o joelho na cadeira da numerada descoberta do antigo Palestra Itália e quase que desmaia.

O maravilhoso comentarista da rede Globo, Paulo Cesar de Oliveira, adorava o verdão. Nesse jogo ele deu 3, eu falei TRÊS PENAIS pra Lusa contra o Palmeiras em pleno Parque Antártica. O Velho Lobo Zagallo era o técnico da Portuguesa.  Final do jogo:

E nós saímos cantando: ah! é! ih! vai ter que me engolir!

Volta três anos antes, acho que o Brasil inteiro, tirando os gremistas, torceu para a Lusa contra o Grêmio na final do Brasileirão. O Zé Roberto já estava em campo com o time rubro verde. O imortal Zé Roberto.

Lembro dos meus primos Igor e Iuri(sãopaulinos) comprando as camisas da Lusa e indo à final no Morumbi.

Desde que me tornei fã de futebol, sempre quis conhecer o Canindé. Na última sexta-feira eu fui.

Em tempos de Arenas, ingressos mais caros do que um carro, gostei de pagar 20 pilas pelo ingresso.

Fui de metrô. Desci na estação Portuguesa-Tietê. Achava que era um pouquinho mais perto do metrô. Eu ando(gosto de andar) bastante. Porém, na volta, me pareceu bem mais perto.

Como decidi de última hora, foi bem assim: estava no trono, peguei o celular e comecei a olhar se havia algum jogo da Portuguesa naquele dia. Tinha. Era cinco da tarde, o jogo começava às 19:15. Corri, por isso achei longe na ida. Não sabia como seria. Fácil pra comprar o ingresso? Iriam descobrir que sou palmeirense? Sentaria onde? Em qual parte do estádio?

Depois de atravessar a ponte, embaixo a Marginal e o rio Tietê, comecei a chegar perto do estádio. Como não gosto de ficar andando pro lado errado, eu sempre pergunto, posso perguntar umas 10 vezes até chegar no local, não tenho vergonha, pior é não perguntar(sou macho) e ficar se perdendo a  vida toda. Passou um cara com a camisa da Lusa, o indaguei se eu estava no sentido certo, "vem comigo".

Pronto, me ferrei. Ou dei uma sorte tremenda. O cara era conselheiro da Portuguesa. Uma pessoa muito bacana. Às vezes, essa minha mania de fazer amizade facilmente, acaba me irritando, tem vezes que não quero falar com ninguém( dei uma pausa no texto e fui levar o Bill passear, nessas horas quero que ele possa mijar nos postes sem ninguém enchendo o saco).

O conselheiro do time do Canindé me perguntou: " pode falar a verdade, você é torcedor do Sertãozinho, não é? ". Era o time adversário da Portuguesa. Eu disse que não. Estava vindo do interior assistir esse jogo. 

"Ah, você é o fulano de Serra Negra que tem um programa na rádio?". Também não.

Eu não sei o que ele achou que eu era. Se ficou desconfiado, se achou que eu era fanático pela Lusa. Ele foi me apresentando para todos os lusitanos e dizendo que eu tinha vindo do interior para assistir o jogo. Quando eu percebi, eu já era "o caipira."

Esse conselheiro me apresentou o estádio, me fez conhecer a moça do bar, os velhinhos torcedores da Lusa,a senhora vendedora (a pioneira) das camisas da Portuguesa, o antigo juiz Edmundo Lima Filho estava por lá também com a camisa da Portuguesa. Uma das primeiras vezes que fui ao estádio, eu entrei com o time do Palestra em campo. Meu pai era amigo desse árbitro. Eu não lembro. Me recordo do velho me falando:"olha, filho, você está do lado do Evair, olha o Edmundo aí...". O conselheiro continuava me mostrando as dependências do Canindé. "Aqui havia várias quadras de tênis, várias piscinas olímpicas, tudo abandonado".

Me mostrou a padroeira do time ,Nossa Senhora da Conceição, fez várias críticas a direção da Lusa. Comentou que normalmente no estádio é bem tranquilo, "apanhei uma vez só; era Portuguesa X Vasco, tinha uns manchas juntos com a torcida do Vasco, apanhei feio, eu e um primo que veio do interior". Ainda bem que não disse que era palmeirense.

Leões da Fabulosa são uns imbecis, em sua visão.

Comprei o ingresso, R$20,00, para na sequência, o irmão português falar que eu poderia ter pago mais barato- porra, você compra comigo, tenho desconto.

Ivair - O Príncipe estava por lá, entrando de cadeira de rodas. Mais uma coincidência das brabas- eu cresci com o meu babbo falando desse jogador. 

Pois bem, depois de estar me sentindo estranho pra cacete ali, conversando com vários torcedores sobre as escalações clássicas da Portuguesa, tomei um copo de cerveja, me despedi dos "novos amigos", agradeci o conselheiro( reitero: valeu mesmo, você é um cara muito bacana, só não me chama pro CarnaUOL), chegou a hora d'eu ficar um pouco sozinho e aproveitar o meu tempo num estádio que eu nunca havia pisado antes.

Todavida eu gostei de chegar cedo nos estádios. Gosto do vazio. Gosto do silêncio. E ir a um estádio pela primeira vez e sentir isso é indescritível. 

Estádio sem ninguém, eu como "era do interior" me lembrei mais ainda dos estádios do interior.

A torcida da Lusa foi chegando. Em uma sexta-feira às 19:15, com transmissão pelo Sportv, 1.500 torcedores foram heroicos em assistir esse jogo pela segunda divisão do Paulista.

Que saudade dos jogos no velho Palestra. Os vendedores do verdadeiro amendoim estavam no Canindé. Ganhei vários de graça! Hoje em dia nas arenas nem a água da chuva é gratuita.

O legal no estádio da Lusa é que os torcedores em cada tempo assistem os jogos de um lado. Ficam atrás do gol que o time está atacando. É sensacional ver os torcedores caminhando e cantando nos intervalos.

Eu fiquei arrepiado quando começou o cotejo, não sei o que foi, mas me senti extremamente feliz ali. Assistir um jogo num estádio e sem a pressão e o nervosismo por não ser o seu time do coração, é de um alívio enorme. 

Pretendo fazer mais vezes isso.

Sacando os torcedores rubro-verdes, eu me dei conta que torço para um time afortunado. Como é sofrido ser torcedor desses times que um dia já foram Gigantes, a Lusa chegou a dividir torcida com os quatro grandes de SP. Ainda bem que nessa partida, a equipe venceu, e eu consegui assistir e até vibrar com o único gol do jogo. 









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