Sunday, April 22, 2018

HOMETOWN


Eu juro pra vocês que não queria sentir tanta emoção. Ser tão sensível para as artes. Mas acontece o seguinte: quando eu vejo uma obra tão pungente como essa peça teatral "Interiores", eu acabo desabando.
São quatro histórias de personagens que estão envolvidos com a sua casa. O lugar onde moram, o lugar onde vão morar, a sua infância, suas dores e lembranças de sua construção como ser humano.
Nunca senti isso assistindo uma peça, mas na primeira história, na primeira cena, eu só queria que acabasse logo, porque eu não suportava mais ver toda aquela dor. Rebecca Leão é uma das maiores atrizes que eu vi em cena.
Logo na introdução, no solo de Rodrigo Sanches, vi que a peça seria muito boa. Seu desempenho logo ali me cativou.
Eu poderia falar de todos os atores, da direção, do roteiro, da operação técnica do meu brother Gabriel Oliveira, mas eu só quero dizer: PARABÉNS!
Lucas Mayor e Marcos Gomes vocês detonaram com esse cara aqui (rs).
Algumas pessoas sentem mais que as outras, algumas pessoas sentem mais as porradas da vida.
É, pai, você tem razão.



PrimaDonna

Uma palavra muda tudo. Tudo. Um erro. Uma forma errada de interpretar.
Põe tudo a perder.

Se a sua chance já era mínima, com um furo desse, sua reputação vai pro saco.


"Não, quer dizer que a pessoa se acha uma princesa..."
Nem é isso direito, seu otário.

Pra mim, você é uma princesa. A princesa que eu sempre idealizei.

Mas é claro que não falei isso.

E ficou pior. Estraguei, consegui piorar.


"O Amor muda tudo, o jeito que você anda na rua, o jeito que você segura o talher, o Amor incomoda, o Amor é foda".

Saturday, April 14, 2018

The Last Dead



Olhei pra ele
Vi um cara que acertou nos cavalos no jockey
De prima
Com a facilidade do Romário na grande área


Extirpou o passado
Jogou fora todas as cartas que mandou para a sua namorada quando esteve no Vietnã
Deixou escorrer pelo ralo
Todas as mágoas


Na sua última dança
Último bilhete de metrô
Última sessão de cinema
e última caipirinha


Na sua última morte, ele me fez gozar.

Wednesday, April 11, 2018

T



É apenas um gesto

É apenas um aceno

É apenas um sorriso

É apenas um furacão.






É apenas ela.

É apenas uma garota de shorts e camisa do Dead Fish

É apenas uma mulher fumando

É apenas um tormento em meu coração.






É apenas uma risada

é apenas um bullying de um romance

é apenas uma pegadinha

da minha alma que não gostou nenhum pouco.






É apena um vestido

um perfume

um beijo






e um momento que esperei minha vida inteira.

Friday, April 06, 2018

Sehnsucht

Eu deveria ter ido pra casa. Sabe quando você sabe que vai dar merda? Quando você vai acabar deixando seu coração e ela vai guardá-lo dentro do freezer com aquele salmão estragado.

O haitiano que pediu para ajudá-lo com seu telefone. Eu não entendi o seu francês. Eu não sabia o que ele queria. Ele ia para Caxias do Sul saindo da rodoviária Tietê. Imagine quantas horas dentro daquele bus com uma solidão gigantesca e sem ninguém nesta merda de país para dar um jeito no seu maldito celular!

Voltando para a mulher dos meus sonhos. É claro que só podia dar errado.

Você já se deparou com uma obra prima, e ficou com medo, teve que ser delicado para ela não quebrar?

Eu conheci aquela mulher...

Friday, March 23, 2018

COSMOS


Você está bem?
Ela perguntava enquanto nos beijávamos.
O que eu poderia falar?
Não! Me deixe continuar olhando pra você.

Maldita criação, na minha cabeça machista ( talvez), sempre separei uma paixão, de uma foda.

Eu demoro pra me soltar
Parece que tem alguma coisa presa em mim.

Preceitos morais?

Sempre acho que estou traindo alguém.

Sou um sujeito estranho.

Eu só queria ficar olhando para seus lindos olhos.
Ela me dizia que estava com vergonha.
Tirava a minha roupa.

Fico emocionado só de lembrar.

Devo ter algum problema.

Uma vez escrevi um poema que dizia: seu abraço é o sussurro de Deus.
Como foi bom te abraçar.

"As costas são meu ponto fraco"

Ela gemia.

Eu estava encantado, deslumbrado.

Que bom que não consegui tirar minha lente de contato. Assim pude ficar olhando pra você a noite toda.

Suas pintas nas costas.

Seu gosto me enlouqueceu.

Sou muito ligado em cheiros. 

Fiquei olhando você dormir.

Sua respiração forte.


Talvez eu seja um babaca.

Talvez eu queira as coisas com muita pressa.

"É melhor você não falar a frase que você está pensando, guarde- a pra você"

Ela tem razão.

"Vou viajar e volto semana que vem".


Tudo mudou como num Tsunami.

Me bloqueou de todas as redes sociais.


E eu fiquei aqui lembrando do seu rosto ao ser penetrada.


Parecia que eu pegava o Cosmos com a mão.

Monday, February 13, 2017

PORTUGUÊS POR UM DIA

Minha história com a Portuguesa. Foram muitas delas assistindo jogos contra a Lusa.

Cansei de ver o VT-será que alguém dessa nova geração sabe o que é VT?!- de uma partida que o Edmundo marcou um dos mais belos gols feitos pelo Parmera. 

Eu era moleque, não tinha a noção completa do que era o futebol, mas vira e mexe eu pegava o vhs do meu pai e assistia esse jogo:

Como alguém pode fazer um gol tão bonito? Imagina para um garoto de 11 anos ver isso?

Outro jogo na minha memória. Esse eu tava no estádio. Antes de começar o jogo, meu pai bateu com o joelho na cadeira da numerada descoberta do antigo Palestra Itália e quase que desmaia.

O maravilhoso comentarista da rede Globo, Paulo Cesar de Oliveira, adorava o verdão. Nesse jogo ele deu 3, eu falei TRÊS PENAIS pra Lusa contra o Palmeiras em pleno Parque Antártica. O Velho Lobo Zagallo era o técnico da Portuguesa.  Final do jogo:

E nós saímos cantando: ah! é! ih! vai ter que me engolir!

Volta três anos antes, acho que o Brasil inteiro, tirando os gremistas, torceu para a Lusa contra o Grêmio na final do Brasileirão. O Zé Roberto já estava em campo com o time rubro verde. O imortal Zé Roberto.

Lembro dos meus primos Igor e Iuri(sãopaulinos) comprando as camisas da Lusa e indo à final no Morumbi.

Desde que me tornei fã de futebol, sempre quis conhecer o Canindé. Na última sexta-feira eu fui.

Em tempos de Arenas, ingressos mais caros do que um carro, gostei de pagar 20 pilas pelo ingresso.

Fui de metrô. Desci na estação Portuguesa-Tietê. Achava que era um pouquinho mais perto do metrô. Eu ando(gosto de andar) bastante. Porém, na volta, me pareceu bem mais perto.

Como decidi de última hora, foi bem assim: estava no trono, peguei o celular e comecei a olhar se havia algum jogo da Portuguesa naquele dia. Tinha. Era cinco da tarde, o jogo começava às 19:15. Corri, por isso achei longe na ida. Não sabia como seria. Fácil pra comprar o ingresso? Iriam descobrir que sou palmeirense? Sentaria onde? Em qual parte do estádio?

Depois de atravessar a ponte, embaixo a Marginal e o rio Tietê, comecei a chegar perto do estádio. Como não gosto de ficar andando pro lado errado, eu sempre pergunto, posso perguntar umas 10 vezes até chegar no local, não tenho vergonha, pior é não perguntar(sou macho) e ficar se perdendo a  vida toda. Passou um cara com a camisa da Lusa, o indaguei se eu estava no sentido certo, "vem comigo".

Pronto, me ferrei. Ou dei uma sorte tremenda. O cara era conselheiro da Portuguesa. Uma pessoa muito bacana. Às vezes, essa minha mania de fazer amizade facilmente, acaba me irritando, tem vezes que não quero falar com ninguém( dei uma pausa no texto e fui levar o Bill passear, nessas horas quero que ele possa mijar nos postes sem ninguém enchendo o saco).

O conselheiro do time do Canindé me perguntou: " pode falar a verdade, você é torcedor do Sertãozinho, não é? ". Era o time adversário da Portuguesa. Eu disse que não. Estava vindo do interior assistir esse jogo. 

"Ah, você é o fulano de Serra Negra que tem um programa na rádio?". Também não.

Eu não sei o que ele achou que eu era. Se ficou desconfiado, se achou que eu era fanático pela Lusa. Ele foi me apresentando para todos os lusitanos e dizendo que eu tinha vindo do interior para assistir o jogo. Quando eu percebi, eu já era "o caipira."

Esse conselheiro me apresentou o estádio, me fez conhecer a moça do bar, os velhinhos torcedores da Lusa,a senhora vendedora (a pioneira) das camisas da Portuguesa, o antigo juiz Edmundo Lima Filho estava por lá também com a camisa da Portuguesa. Uma das primeiras vezes que fui ao estádio, eu entrei com o time do Palestra em campo. Meu pai era amigo desse árbitro. Eu não lembro. Me recordo do velho me falando:"olha, filho, você está do lado do Evair, olha o Edmundo aí...". O conselheiro continuava me mostrando as dependências do Canindé. "Aqui havia várias quadras de tênis, várias piscinas olímpicas, tudo abandonado".

Me mostrou a padroeira do time ,Nossa Senhora da Conceição, fez várias críticas a direção da Lusa. Comentou que normalmente no estádio é bem tranquilo, "apanhei uma vez só; era Portuguesa X Vasco, tinha uns manchas juntos com a torcida do Vasco, apanhei feio, eu e um primo que veio do interior". Ainda bem que não disse que era palmeirense.

Leões da Fabulosa são uns imbecis, em sua visão.

Comprei o ingresso, R$20,00, para na sequência, o irmão português falar que eu poderia ter pago mais barato- porra, você compra comigo, tenho desconto.

Ivair - O Príncipe estava por lá, entrando de cadeira de rodas. Mais uma coincidência das brabas- eu cresci com o meu babbo falando desse jogador. 

Pois bem, depois de estar me sentindo estranho pra cacete ali, conversando com vários torcedores sobre as escalações clássicas da Portuguesa, tomei um copo de cerveja, me despedi dos "novos amigos", agradeci o conselheiro( reitero: valeu mesmo, você é um cara muito bacana, só não me chama pro CarnaUOL), chegou a hora d'eu ficar um pouco sozinho e aproveitar o meu tempo num estádio que eu nunca havia pisado antes.

Todavida eu gostei de chegar cedo nos estádios. Gosto do vazio. Gosto do silêncio. E ir a um estádio pela primeira vez e sentir isso é indescritível. 

Estádio sem ninguém, eu como "era do interior" me lembrei mais ainda dos estádios do interior.

A torcida da Lusa foi chegando. Em uma sexta-feira às 19:15, com transmissão pelo Sportv, 1.500 torcedores foram heroicos em assistir esse jogo pela segunda divisão do Paulista.

Que saudade dos jogos no velho Palestra. Os vendedores do verdadeiro amendoim estavam no Canindé. Ganhei vários de graça! Hoje em dia nas arenas nem a água da chuva é gratuita.

O legal no estádio da Lusa é que os torcedores em cada tempo assistem os jogos de um lado. Ficam atrás do gol que o time está atacando. É sensacional ver os torcedores caminhando e cantando nos intervalos.

Eu fiquei arrepiado quando começou o cotejo, não sei o que foi, mas me senti extremamente feliz ali. Assistir um jogo num estádio e sem a pressão e o nervosismo por não ser o seu time do coração, é de um alívio enorme. 

Pretendo fazer mais vezes isso.

Sacando os torcedores rubro-verdes, eu me dei conta que torço para um time afortunado. Como é sofrido ser torcedor desses times que um dia já foram Gigantes, a Lusa chegou a dividir torcida com os quatro grandes de SP. Ainda bem que nessa partida, a equipe venceu, e eu consegui assistir e até vibrar com o único gol do jogo. 









Thursday, September 15, 2016

Minha Independência

De todas as derrotas que eu vi no estádio contra o São Paulo.

De todas as vezes que eu não via graça em ganhar do Corinthians, o que eu queria era ganhar do São Paulo. Pergunte para o Oberdan Cattani ( se ele tivesse vivo, ele teria sorrido ), pergunte ao meu avô Vicente, ao meu pai Vicente , ao Galuppo, ao Barneschi, ou a mim mesmo que desde a época da escola não parou de ouvir dos amiguinhos sãopaulinos que o seu time era bicampeão da Libertadores e Mundial.

Daquela vez que fomos eliminados por cartão amarelo, pois é... eu estava lá.

Do 1x1 heroico do Palmeiras em uma Libertadores, de uns 5 x1 , meu primo Guigo que estava comigo diz que foi 4x1-ah ,menos mal-, em um nada saudoso campeonato Paulista.
Do gol do Cicinho de fora da área, Libertadores 94, 2005 e 2006.

Eu aguentei tudo isso. E nunca tinha visto uma vitória no estádio contra o São Paulo.

Parecia uma sina que não ia acabar nunca. Tá certo que sou um cara que não vou a muitos jogos, até gostaria de ir mais, mas como a vida é sempre atribulada, não consigo. E o Palmeiras a bem da verdade, machuca muito a gente. Se a sua vida está errada, o Palmeiras não vai amenizar, ele vai te colocar na mais divertida depressão.

Pra mim, o ano de 2012 foi o mais louco possível: meu pai doente, Palmeiras campeão da Copa do Brasil, o título que mais chorei, fui para New Jersey assistir o Bruce, e o Palmeiras no final do ano foi rebaixado.
O Palmeiras nunca dá uma folga para nós .

O Palmeiras é aquele amigo que sempre vai dar uma quebrada no seu ânimo: " mas como assim você comprou esse carro? É péssimo !
Essa mulher que você está namorando... já deu para o Joãzinho, é aquele serial killer do bairro" .

Mas quando o Palmeiras vence...

Nada mais importa. Por alguns dias aquela torcida sofrida vai poder bater no peito e dizer que irá pintar a cidade de verde e branco.

Ontem o meu dia começou inusitado:
Há quanto tempo eu não ia no estádio? A última (e primeira na nova arena) vez foi no começo do ano passado num amistoso contra os chineses. Time do Vágner Love e do Cuca (será?). Depois fui na festa que os palestrinos fizeram antes da final da Copa do Brasil 2015. Eu não fui no jogo, mas precisava estar na comunhão palmeirense, o corredor verde antes do jogo. É parece que deu certo: fomos campeões.
Então, faça as contas aí, meu chapa, fazia muito tempo que eu não ia no belo Allianz Parque.

Voltando ao início do meu dia, meu primo(Kaká) sãopaulino, não é o jogador, fez uma festa de aniversário, e quem estava na festa? O presidente do São Paulo , Leco.
O Leco é amigo da minha família há muitos anos. Ele foi síndico do condomínio no interior de sp , onde a minha família tem casa . Isso há muito tempo. Quando os dinossauros caminhavam sobre a Terra.

Eu como tenho essa besta mania de ser muito sincero , comentei com todos que nunca havia visto uma vitoria do Palmeiras frente ao São Paulo in loco.

Pronto, virei a chacota da festa, tudo com bom humor, diga-se de passagem. Mal sabem eles que numa certa ocasião comprei um ingresso do choque-rei, não fui e o Palmeiras ganhou, gol de Itamar. Veja você... No Morumbi .

Ontem, quando o São Paulo fez o primeiro gol , tudo isso estava em minhas costas . A minha vontade era pegar um bonde e voltar para uma época que o Palestra Itália ganhava do São Paulo.

Me deu uma vontade tremenda de sair do lugar onde eu estava no estádio.
Hoje não! Hoje não! Hoje de novo?! Não!

Se perder essa partida , eu quero que se foda esse campeonato, dane-se o título, dane-se! Bando de incompetentes! Cuca burro! Mexe aí !
Olha a seleção (e o cara da seleção) que você tem no banco...

E saiu o gol do Mina! Eu nem acreditei. A gente se acostumou a ser derrotado. "O que eu vou dizer lá em casa ?" . Já diria o sãopaulino narrador Sílvio Luiz.

Repita comigo no replay, saiu o gol!

Eu gritei, berrei, vi aqueles pontinhos pretos, tudo piscando,
eu já sabia( sabia o caralho ) que iríamos virar.

Segundo gol. Apoteose. Mais pontos pretos no céu. Ou seriam verdes?

Rouco de tanto gritar, com o pé doendo depois do chute que dei na cadeira após o primeiro e único gol do São Paulo.

Nós ganhamos!

A vitória da minha vida, até pouco tempo atrás eu já tinha entrado em parafuso, eu queria ir pra casa , agora eu tenho certeza que seremos campeões.

Em 2012 eu chorei com o título.Porque eu achava que nunca mais veria o Palmeiras campeão.

Em 2016, meu avô está no hospital, mais uma semelhança com 2012.

São 21 anos sem o título brasileiro.

Dia 7 de setembro , o dia que vi minha famiglia, o dia que encontrei meu amigo Mateus Carrieri , o dia que deixei de ser pé frio e vou colocar junto com os títulos que assisti no estádio: Campeonato Brasileiro 93,Copa do Brasil 98, Copa Mercosul 98 e tantas vitórias inesquecíveis, eu vou colocar o título do brasileirão 2016

E mesmo se não vier , o dia 7/9/16 foi o meu dia da libertação.